Resenha | Nosso(s) ‘Amor(es) Verdadeiro(s)’         

‘Amor(es) Verdadeiro(s)’ é o quarto livro publicado no Brasil de Taylor Jenkins Reid, originalmente lançado em 2016. É anterior aos best-sellers ‘Os Sete Maridos de Evelyn Hugo’ e ‘Daisy Jones & The Six’ e posterior ao chick-lit ‘Em Outra Vida, Talvez?’, todos pertencentes ao selo Paralela, da Companhia das Letras.

Emma Blair casou-se com Jesse, namorado do ensino médio em que é extremamente apaixonada. Movidos pelo espírito aventureiro de descobrir o mundo, eles levam uma vida nada convencional, longe da pacata Acton, em Massachusetts – local no qual ambos nasceram. No primeiro aniversário de casamento do jovem casal, Emma recebe a notícia que interrompe seu “felizes para sempre”: Jesse é dado como morto, após desaparecer do helicóptero em uma de suas jornadas de trabalho. Decidida a tentar superar a dor da perda do marido, Emma retorna para sua cidade natal, local no qual se empenhou em manter distância durante os últimos anos.  

É na rotina convencional de Acton, em que ela reencontra Sam, um antigo amigo dos tempos do colégio. Quando a paixão por Sam se acende, Emma se questiona se seria justo permitir-se amar novamente. A paixão fala mais alto, e não demora muito para que o casal comece a namorar. Quando Sam a pede em casamento, Emma acredita que, apesar de toda a tragédia que presenciou, ela está livre para amar novamente, sem a culpa a acompanhando. Um dia, perto do casamento do casal, Emma recebe uma notícia que irá mudar os rumos da sua vida: Jesse foi encontrado vivo, e está retornado para casa, e mal pode esperar para reencontrar sua esposa. 

“Mas, depois de colocar uma boa distância entre mim e o lugar onde fui criada, comecei a apreciar sua beleza. Passei a vê-lo com os olhos de alguém de fora – talvez por ter me tornado uma forasteira.” 

‘Amor(es) Verdadeiro(s)’, em seus primeiros capítulos, narra momentos da adolescência de Emma. É visível seu pouco interesse por permanecer na pacata cidade de infância, e assumir a gerência da livraria dos pais. Para Emma, o mundo é grande, cheio de aventuras que a aguardam. Quando ela conhece Jesse, descobre alguém que nutre os mesmos sonhos que ela. Mesmo assim, quando eles estão prestes a completar 1 ano de casados, Emma percebe que aquela vida pode ter se esgotado. Talvez eles já tenham vivido todas as aventuras que precisam. Ela sente falta da rotina, do comum, do convencional do dia a dia. 

Quando Jesse desaparece, ela decide num ímpeto retornar para a cidade natal. É vivendo com o luto, e redescobrindo por outros olhares a rotina em Acton, que ela se depara com a beleza que existe naquele local. Não demora muito para que, a Emma que casou com Jesse, transforme-se em outra Emma. Afinal, sua vida já não é mais a mesma. Ela perdeu o grande amor de sua vida, e precisou reconstruir-se com os pedaços que a vida lhe deixou.

Quando ela reencontra Sam, percebe que ele é o oposto de Jesse. Sam é calmo, nada aventureiro, e adepto da rotina. Emma percebe que pode construir uma vida naquela cidade. Ela passou tanto tempo odiando a ideia de assumir a livraria dos pais, que nunca permitiu-se apaixonar pela cidade.

“Programei minha vida a partir da ideia de querer conhecer os lugares mais extraordinários, mas acabei chegando à conclusão de que qualquer lugar poderia ser extraordinário.” 

No momento em que Jesse retorna, Emma precisa questionar o passado e o presente. Afinal, ela já não é mais a mulher que casou com Jesse. Com os questionamentos de Jesse, acerca de quem a esposa se tornou, ela começa a pensar se realmente gosta daquele local. Ela é calma ou intensa? É aventureira ou pacata? 

“Eu mudei com o tempo. É isso que acontece com as pessoas. Ninguém fica estagnado. Todos nos transformamos em relação às alegrias e tristezas da vida.” 

É geracional pensar que devemos tomar uma única decisão em nossas vidas, de que temos que seguir um caminho, sem a possibilidade de existir outros. ‘Amor(es) Verdadeiro(s)’, questiona todas essas concepções que estão intrínsecas em nosso ser. Além das escolhas, faz refletir sobre a concepção de alma gêmea, afinal, de acordo com os padrões, só é possível amar uma única pessoa na vida. Se você perder esse amor, já era. Suas chances acabaram. Como a própria personagem aponta, somos transformados por todos os acontecimentos que rondam nossas vidas, seja em meio às alegrias ou as nossas tristezas. Está tudo bem mudar, e não ser mais a mesma pessoa de ontem. Passei pela mesma situação nos últimos meses. A eu do final do ano passado já não coincide mais com a de hoje. Mudar faz bem. Nós somos quem somos pelas pessoas que amamos, pelas tristezas, alegrias e dificuldades que passamos. Tudo nos transforma. 

“Não acho que um amor verdadeiro precise ser o único. Acho que amor verdadeiro significa amar de coração. Amor puro e simples. Amor por inteiro.” 

‘Amor(es) Verdadeiro(s)’, é diferente das narrativas de ‘Evelyn Hugo’ e ‘Daisy Jones’. Isso porque, nesses dois últimos, as histórias se concentram em grandes estrelas, personagens detestáveis e humanas. ‘Amor(es) Verdadeiro(s)’ é uma história pacata, sobre pessoas comuns – assim como nós – que presenciaram tragédias na vida e precisaram se adaptar conforme elas.  Assim como qualquer livro da Taylor Jenkins Reid, é páreo para qualquer comparação. Por caminhos diferentes, e longe dos holofotes da fama, ainda se mantém na sensibilização nos conflitos emocionais – que comumente são trabalhados pela autora. É uma história sobre permitir-se viver novas aventuras. Seja elas gerenciando uma pequena livraria, ou escalando o Grand Canyon. O amor verdadeiro nem sempre dura. Não precisa ser para a vida toda. E isso não significa que seja menos verdadeiro. 

Taylor Jenkins Reid

O filme ‘Amor(es) Verdadeiro(s)’ estreia nos cinemas em 18 de maio

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Isabella Breve
Isabella Breve

Futura jornalista, leitora voraz, amante da Sétima Arte e eternamente fã.

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