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O Predador: A Caçada – de volta às origens
O Yautja (nome da raça alienígena presente na franquia de filmes e HQs d’O Predador) figura entre os monstros mais carismáticos e queridos do cinema junto ao Xenomorfo (nome “científico” da raça presente na franquia de filmes e HQs dos Aliens).
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O Predador despontou em 1987, com Arnold Schwarzenegger atuando como o protagonista Major Alan Schaeffer, seguido por uma continuação nada carismática protagonizada por Danny Glover três anos depois. A franquia d’O Predador parece ter se precipitado em lançar rapidamente sua continuação, ao contrário da franquia rival (Alien), que teve um hiato considerável entre um filme e outro.
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E por que eu chamo de franquia “rival”? Bem, o próprio filme O Predador 2 mostra, numa breve cena, um crânio semelhante ao do xenomorfo, dando a entender que o Yautja havia caçado ao menos um e guardado o crânio como troféu. Pelo visto, a ideia era juntar as duas franquias, o que chegou a ocorrer com Alien vs Predador e sua fraquíssima continuação. A despeito do que falam as más línguas, O Predador: A Caçada resgata a pegada da franquia, mostrando a criatura e todo o plot do jeito que queremos ver.
O título em português (tanto aqui quanto em Portugal) passa longe da subjetividade do original, Presa, numa tradução literal, mas isso não chega a comprometer a trama. O drama vai sendo apresentado em camadas, enrolando, no bom sentido, o aparecimento e o embate final com a criatura, como convém aos filmes do gênero.
As tomadas das planícies do norte dos Estados Unidos no século XVIII revelam a boa fotografia do filme, e as sequências de ataques entre animais mostrando a cadeia alimentar mostram a ideia de que o Yautja pretende transformar o melhor predador em presa como também dialogam perfeitamente com o título original, que revela que exatamente o contrário acontecerá.
A trama vivida pela atriz Amber Midthunder, de Legion, traz um interessante subtexto de empoderamento feminino, que é o que mais parece incomodar os que não gostaram do filme. Isso, junto à chegada dos caçadores franceses, dá ao filme um contexto político nunca antes visto em filmes da franquia. Assim como os protagonistas vividos pelos atores Amber Midthunder e Dakota Beavers, que têm ascendência indígena, a canadense Michelle Thrush é ativista das Primeiras Nações para aborígenas canadenses e outras nações indígenas das Américas.
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Se a cena supracitada do filme estrelado por Danny Glover incitava a rivalidade entre os dois monstros do cinema (o que veio a acontecer com Alien vs Predador e sua continuação) e o filme de 2010, estrelado por Adrien Brody e Alice Braga, rivalizava a continuação de Alien, o Oitavo Passageiro com um título no plural (Predadores) como em Aliens: O Resgate, O Predador: A Caçada faz de Naru (a protagonista) a Ripley da franquia.
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O visual e a tecnologia do Yautja passam a impressão de serem mais primitivos do que os de seus antecessores e demonstram que o filme quebra a cronologia com Alien Vs Predador, além de justificarem o subtítulo em Portugal: “(…) a Primeira Presa”, já que suas armas parecem inferiores às do primeiro crossover, que mostra que os Yautja já estariam aqui no tempo dos Maias.
O filme se passa nos anos 1700. Outra alfinetada na franquia Alien, que desprezou Alien vs Predador ao lançar Prometheus, o qual mostra que os xenomorfos surgiram muitos anos no futuro. O Predador: A Caçada dá de ombros para Alien vs Predador, também, ao mostrar um Yautja menos evoluído tecnologicamente, séculos depois do período pré-colombiano.
O filme faz algumas referências ao clássico de 1987. A máscara do novo Yautja remete tanto ao primitivismo quanto à morte. A cena pós-créditos no estilo jogo em HTML 5 dá a entender que pode haver continuação. O Predador: A Caçada não pretende contar a origem dos Yautja, como o filme Predador, de 2018, mas tem êxito na missão de reiniciar a franquia, no que o filme de 2018 fracassou.
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