Entrevista | Guilherme Balbi – O desenhista brasileiro que fez a HQ oficial Alien: The Original Screenplay7 minutos

Dia 26 de abril é o Dia Internacional do Alien (Alien's Day). Para comemorar o mês da criatura, entrevistamos Guilherme Balbi, o desenhista mineiro de Alien's: The Original Screenplay.

Dia 26 de abril comemora-se mundialmente o Alien’s Day, o Dia do Alien, a criatura da franquia Alien, tanto no cinema quanto nos quadrinhos, que atende pelo “nome científico” de xenomorfo. 

Para comemorar o mês da besta, o Otageek realizou uma série de entrevistas com roteiristas e desenhistas que de alguma forma fizeram parte da franquia ou do universo lovecraftiano (o universo concebido pelo escritor norte-americano H.P. Lovecraft), que serviu de base para a criação do xenomorfo.

Organograma com o bestiário lovecraftiano.

A concepção da criatura adveio do pintor e escritor suíço H.R. Giger, que se inspirou em Lovecraft e seu bestiário para criar a estética dos xenomorfos. Ninguém percebeu que a Rainha Alien é uma releitura do Grande Cthulhu?

O criador e suas criaturas

Mineiro da cidade de Ubá, Guilherme Balbi começou na Casa dos Quadrinhos em 2002 e se tornou um dos grandes nomes mundiais dos quadrinhos ao emplacar petardos na IDW e DC Comics, além de trabalhar com designer para Hollywood. Formado pela UEMG, hoje é professor do Curso Técnico da Casa dos Quadrinhos.

Atualmente é desenhista, e capista da Dark Horse Comics, também trabalhando na área de storyboard e design em Hollywood, adaptou e criou o novo conceito do icônico personagem Alien. Balbi criou um vasto universo chamado Jackpot, indicado a dois prêmios no HQmix, incluindo de melhor desenhista e roteirista brasileiro.

Otageekers, com vocês, Guilherme Balbi:

Guilhermi Balbi, de suspensório, exibe seu braço esquerdo fechado de tatuagem
Otageek- Você começou sua formação na Casa dos Quadrinhos e hoje é professor nela. Muitos dizem que basta se dedicar que qualquer pessoa continuará a desenhar na sua vida. Basta estudo ou tem que se ter o dom?

Guilherme Balbi- Qualquer pessoa pode fazer o que quiser na vida com estudo e dedicação. Aliás o dom existe para qualquer profissão. Até hoje eu não entendo as pessoas falarem que “dom” só existe na área das artes e música.

“O dom existe para qualquer profissão. Até hoje não entendo as pessoas falarem que “dom” só existe na área das artes.”

Otageek- A maioria começa a desenhar ainda pequeno e todos desenhamos quando crianças. Com quantos anos você começou a desenhar? 

Guilherme Balbi- Eu acho que por volta dos 11 ou 12 anos com meu primo. Ele gostava muito de Star Wars e desenhava os Jedi, e os aliens da série. Ficava uma bosta mas eu achava aqui muito legal. 

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Otageek- Muitos desenhistas brasileiros têm sucesso no exterior como José Bené, Mike Deodato Jr. e Carlos Magno. Como é o mercado para desenhistas brasileiros lá fora?

Guilherme Balbi- Feroz! O mercado de quadrinhos depende muito mais do artista do que do mercado para se manter. Tem que se especializar, estudar todo dia. 

“O mercado de quadrinhos depende muito mais do artista do que do mercado em si. Tem que se especializar, estudar todo dia.”

Otageek- Seu traço é bastante atual, mesclando o realismo italiano com a textura limpa do ligne claire e o contorno “nanquim”, (devido ao contorno ser bem escuro). Quais os desenhistas de quadrinhos mais lhe inspiram? Quais os estilos que você mais gosta (realismo italiano, mangá, ligne claire ou o expressionismo alemão de Mike Mignola)? 

Guilherme Balbi- Eu amo o trabalho de Sérgio Toppi e Katsuhriro Otomo (autor de Akira), Ben Oliver (que trabalhou para Juiz Dredd na publicação britânica 2000 A.D.). Gosto como eles trabalham as hachuras, são mestres! Quadrinho europeu no geral é maravilhoso! Eu lia mais. Hoje, tenho mais tempo para os estudos referência.

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Otageek- Um dos personagens na HQ tem o Ægishjálmur tatuado na cabeça. Aquilo foi ideia sua ou do Cristiano Seixas? Você gosta de mitologias, sejam nórdicas ou não?

Guilherme Balbi- O design de personagens foi comigo mesmo. Eu pensei em fazer um personagem referente a cultura nórdica de propósito. A mitologia é maravilhosa! O universo Alien está muitos anos na nossa frente e a tatuagem Ægishjálmur já é uma história para o personagem. 

O personagem exibe o Ægishjálmur tatuado na cabeça
O personagem exibe o Ægishjálmur tatuado na cabeça

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Otageek- Muitos desenhistas têm pintores clássicos como influência e Bob Eggleton, por exemplo, citou Gustav Doré, John Martin e J.M.W. Turner como sua base para desenhar o segundo capítulo de Godzilla in Hell. Você também tem pintores que lhe serviram de base para o seu trabalho? 

Guilherme Balbi- Atualmente, não. Gosto como base de estudo, mas prefiro olhar o estilo como um todo, principalmente o art nouveau.

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Otageek- O roteiro da HQ que você ilustrou, bem como a caracterização dos personagens, diferem bastante do filme original, embora o título seja Original Screenplay. O intuito foi adaptar o roteiro original para uma estética atual?

Guilherme Balbi- A regra era pra não usar nada do filme. Distância total, na verdade. O filme de 1979 é uma adaptação deste roteiro, ou seja, nós somos os “originais”, hahaha!  

Otageek- Além da Dark Horse, você já trabalhou para a IDW (que publica as HQs de Godzilla) e para Hollywood como designer para filmes. Quais filmes você trabalhou e quais as HQs, além de Alien e das capas da Dark Horse? 

Guilherme Balbi- Na DC eu fiz Superboy para a fase Novos 52. Desenhei Predador e Avatar para a Dark Horse, Android Run de Citadel para a Cmon, filmes eu trabalhei em Depois da terra com Will Smith e design para personagem no novo filme de Avatar.

O Predador atira em um soldado, no traço de Guilherme Balbi para a HQ Predator: Welcome to the Jungle
Predator:
Otageek- Como você conheceu o universo dos xenomorfos? Com o clássico Alien (o Oitavo Passageiro) cuja HQ você ilustrou?

Guilherme Babi- É o filme da minha vida! Eu vi quando criança, não sei ao certo a idade mas foi por volta dos 10 anos. Achei o filme fantástico e o design de xenomorfo é icônico pra mim. Depois disso, queria saber mais do universo. Desde então pesquiso e leio alguns artigos, e vejo muitos vídeos sobre o tema.

Otageek- O universo dos xenomorfos foi criado a partir do traço de H.R. Giger e teve dedo de Moebius na produção do primeiro filme e até na criação das roupas de Prometheus. Como você avalia a obra de H.R. Giger e a de Moebius?

Guilherme Balbi- Giger foi um grande artista pessoal, de visão inovadora assim como Moebius. Mestres, né? Falar mais sobre eles é chover no molhado.

Darkseed e sua continuação foram adventures point-and-click com cenários baseados nas Biomechanical Landscapes (Paisagens Biomecânicas) de H.R. Giger, além de parte da estética temática e estética. Você já trabalhou com games ou tem vontade de trabalhar?

Guilherme Balbi- Claro que sim! Amo os vídeos games, e jogo bastante até! Mas por enquanto estou bem focado nos quadrinhos. É mais a minha praia.

Otageek- O que você achou de Prometheus e sua continuação? Ambos os filmes foram muito criticados e as continuações de Prometheus em quadrinhos (Fire and Stone e Life and Death) parecem ter sido ignoradas para a confecção de Alien: Covenant. 

O filme tem graves problemas de roteiro, isso é um fato, mas não me atrapalhou tanto assim. Eu conseguir ver o Mr Scott tentou fazer. Colocou mais profundidade ao universo Alien. Eu gostei disso! 

Acha que os novos xenomorfos (como o Deacon e o Neomorfo) e criaturas (como o Trilobite) aparecerão nos quadrinhos?

Guilherme Balbi- Eu acho que sim. Devem expandir o universo cada vez mais. Depois que saí da equipe criativa a gente não tem mais as informações. =(

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Claudio Siqueira
Escritor, poeta, Bacharel em Jornalismo e habitante da Zona Quase-Sul. Escreve ao som de bits e póings, drinkando e smokando entre os parágrafos. Pesquisador de etimologia e religião comparada, se alfabetizou com HQs. Considera os personagens de quadrinhos, games e animações como os panteões atuais; ou ao menos, arquétipos repaginados.
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