Entrevista| Hunty, artista que desenha campeões do LoL e eleva o conceito de fã-artes

Com apenas 18 anos, Hunty ilustra os campeões de League Of Legends, misturando referências e um sonho: trabalhar para a Riot Games.

Não é novidade que o universo que engloba o jogo League Of Legends, da Riot Games, consegue extrapolar muito mais do que a arena de Summoner ‘s Rift. Para além dos outros jogos oficiais, as músicas, os videoclipes, os trailer cinemáticos e até uma série animada, temos o mundo dos fãs e de suas artes, ou melhor, das fã-artes. E haja amor para ser um entusiasta do LoL, pois o que não falta são estímulos (ou a ausência deles), para abandonar o cliente do jogo e não olhar para trás. 

E, além de todos os ônus e bônus do jogo e de seu universo, temos um infinito de criadores e artistas de diversas áreas que, por muitas vezes, conseguem até atrair os olhos da grande empresa indie. Mas isso é uma exceção, não uma regra, e, ademais, você precisa conquistar um público, o olhar e a atenção, o elogio e a crítica, e, então, seu trabalho talvez tenha o reconhecimento devido

Irelia do League Of Legends ilustrada por Hunty

Reconhecimento este que Hunty vem colhendo conforme seus desenhos ganham corpo, e a cada novo personagem que ela transforma em alvo, sua arte adquire uma nova perspectiva. Com apenas 18 anos, Hunty (nome social adotado pela ilustradora), vive em Itajubá (MG). Sua ocupação atual são suas artes, suas ilustrações. E assim se prepara para trabalhar com sua principal paixão, que é desenhar. Em seu futuro, vislumbra maiores projetos, incluindo o curso superior.   

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Otageek — Sobre suas artes, o que te chama mais atenção no mundo do LoL? E por que desenhar personagens do League Of Legends?

Hunty — O que me chama mais atenção no mundo de LoL definitivamente é a história. Eu amo a história do jogo, para mim é uma obra de arte. O jeito que os personagens são construídos, o design dos personagens, nossa! Para mim, LoL é uma fonte de inspiração enorme, e eu amo me basear nos personagens por serem bem desenhados e bem chamativos. Eu gosto muito mesmo de histórias bem feitas, e acho que os contos do League Of Legends e as artes fazem minha cabeça explodir de tamanha inspiração. 

Otageek — Qual seu main no jogo?

Hunty — A rainha de Noxus, Katarina, haha! Eu amo demais essa campeã, a mecânica dela, a história, ser a filha sanguinária… Tenho uma paixão enorme por mulheres assassinas em jogos. Além do mais, a mecânica da Katarina é bem divertida de se jogar. Só espero que ela fique um tantinho mais forte. Riot, eu te implorooo!

Katarina, a Lâmina Sinistra e a campeã favorita de Hunty

Otageek — Qual ilustração foi a mais desafiadora para você até aqui?

Hunty — Definitivamente foi uma encomenda que fiz de Sett e Rek’Sai. Não foi pela técnica do desenho em si, mas, sim, pelos personagens. Eu não desenho muito homem e nem monstros, então demandou muitos estudos individuais de rosto e corpo do Sett e da Rek’Sai, ainda mais por ela possuir um corpo não humano. A encomenda saiu linda no final, e foi um trabalho enorme que valeu a pena, a cliente ficou muito feliz!

Otageek — Quais ferramentas você usa para desenhar? 

Hunty Eu uso o meu celular e o meu dedo, hahaha! Eu faço praticamente tudo pelo celular. Há alguns dias, eu comprei uma mesa, porém não desenho muito nela. Estou me acostumando aos poucos, mas toda minha arte postada foi feita pelo celular!

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Otageek — Quais são suas referências como artista? 

Hunty Acho que definitivamente anime, artistas japoneses como o Amano. Eu gosto muito das artes antigas japonesa, o traço é perfeito. Eu me inspiro quase 100% na arte japonesa. Gosto bastante da forma na qual a história é retratada. E eu amo gore, então diria que referências a filmes de terror também compõem meu estilo.

Evelynn, o Abraço Demoníaco por Hunty

Fundos neutros, quase que como um eterno outono, contrastam com cores quentes e vibrantes, mas ainda quase que dissonantes da figura principal; oblíquas, mas sempre contribuindo para que os delicados traços saltem aos olhos. Todo conjunto lembra uma dinastia asiática de tempos passados. Uma fã-arte contemporânea, como um registro histórico de um museu de artes. 

Otageek — Como funciona seu processo de criação?

Hunty — Geralmente eu paro, olho para o nada e penso: “Hummm, o que eu posso fazer hoje?” Caso não venha nada à mente, eu começo a olhar o Twitter e o Pinterest para ver se encontro inspiração, se eu acho algo que me estimule a criar um conceito. Eu pego o meu papel e desenho várias coisas, como elementos que quero no desenho. Vou colocando coisas até chegar em um conceito que eu goste. Depois eu digitalizo com o celular, e finalizo de forma digital. Quase sempre adiciono mais coisas no final. Gosto de ficar mudando o desenho no meio do processo.

Otageek — É muito sabido que viver como um desenhista ou qualquer outra forma de arte no Brasil é um pouco complicado. Como você vê isso? 

Hunty —Viver de arte no Brasil é complicado. Eu pretendo demais ter isso como ocupação profissional. Eu vivo pela arte, minha forma de expressão, e, através da arte, eu queria fazer disso também meu trabalho. Espero chegar na Riot um dia (tenho muito o que melhorar para isso!), mas quero, sim, meu sonho mesmo é poder trabalhar com arte, mais especificamente para moda ou jogos.

Otageek — Qual dica você daria para outros desenhistas amadores? 

Hunty — Não pare! Muita gente vai criticar o que você está fazendo, muita gente vai achar muitas coisas. Seus desenhos não vão sair perfeitos de primeira, e “tá” tudo bem, sabe? Essa é a magia de você aprender errando. Você vai errar até acertar, e cada processo disso é muito valioso, porque você aprende muitas coisas no caminho.  

Hunty Desenhe todos os dias, erre mesmo. Tente coisas novas, seja criativo e respeitoso com o seu tempo de aprendizado. Não fique com medo de expressar-se nos seus desenhos. Lembre de que aprender os fundamentos de anatomia e perspectiva é bom e essencial. Mas, acima disso, o que importa é o seu estilo. Distorça as formas, crie o seu. É a sua expressão e a sua forma de ver o mundo que deve ser registrada no papel!

Dizem que quando Michelangelo terminou sua estátua de Moisés, ele bateu no monumento e disse: “Parla!”. Fale. Pois, de tão perfeita, a estátua podia estar prestes a ganhar vida própria. Entre um fundo bege que remete ao washi – o papel usado pelos monges japoneses e coreanos por volta dos anos 610 – e um bloco de mármore, Hunty está a anos-luz do artista renascentista, mas isso não impede que, mesmo sendo um ilustrador amador, seus desenhos também não falem por si.

Para ver mais ilustrações de Hunty, confira seu Instagram e Twitter.

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Gustavo Menezes
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