Crítica | Livro Pachinko, de Min Jin Lee5 minutos

“A história falhou conosco, mas não importa."

Pachinko, de acordo com o site Wikipédia, “é um entretenimento e jogo de azar praticado em máquinas que se assemelham a um cruzamento entre pinball e slot machine”. No entanto, a obra Pachinko, de Min Jin Lee, não é (apenas) sobre jogos.

Capa oficial da obra Pachinko de Min Jin Lee em que mostra uma mulher vestindo um traje tradicional coreano  estampado com uma paisagem de montanha onde caminha uma mãe com seus dois filhos.
Capa oficial da obra ‘Pachinko’, de Min Jin Lee.

Pachinko, de Min Jin Lee, autora e jornalista coreano-americana, é um romance histórico de ficção que acompanha três gerações de uma família coreana ao longo dos períodos históricos: a ocupação japonesa na Coréia, a Segunda Guerra Mundial e a Guerra da Coreia.

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Alerta de pequenos spoilers do começo do livro!

O início de Pachinko

O livro inicia com a frase “A história falhou conosco, mas não importa”, denunciando de antemão o apagamento de toda a cultura e existência do povo coreano em consequência à colonização japonesa no país. Somos apresentados a Hoonie, um garoto deficiente vítima de discriminação na pequena cidade de Busan.

Quando ele se torna adulto, seus pais decidem que ele precisa se casar, portanto, arranjam sua união com a jovem Yangjin, que vem de uma família simples e pobre. Hoonie e Yangjin se relacionam bem, no entanto, perdem muitos bebês na tentativa de engravidar. Até que nasce Sunja, a personagem central da história.

A pequena família vivia confortavelmente, alugando quartos na pensão em que moravam de aluguel. Porém, Hoonie vem a falecer tragicamente. Dessa forma, Yangjin assume sozinha o negócio da família e a criação de Sunja. Enquanto isso, o Japão avança na ocupação da Coréia

A jovem Sunja

Sunja se acostuma a auxiliar a mãe na pensão, cozinhando, limpando e comprando suplementos. Então, em uma das idas da já adolescente ao mercado, ela conhece Hansu, um homem de negócios que se interessa instantaneamente pela mesma.

Enquanto os dois engatam um relacionamento sigiloso, um jovem pastor de passagem da Coréia para o Japão, em busca de melhores condições de vida, chamado Baek Isak, hospeda-se na pensão de Yangjin.

Isak chega a Busan tomado pela tuberculose, mas é bem amparado por Yangjin. Simultaneamente, Sunja descobre estar grávida e, ao contar a notícia para Hansu, decepciona-se com a revelação de que o homem amado possui uma família no Japão.

Hansu se propõe a cuidar de Sunja e a criança por vir, mas a jovem, sentindo-se enganada e humilhada, recusa. Baek Isak, então, como forma de agradecimento a Yangjin, pede pela mão de Sunja em casamento e faz a promessa de a levar para o Japão e assumir seu filho.

Assim, no auge da ocupação japonesa na Coréia, Sunja se casa com Isak e, grávida, muda-se para o Japão.

Crítica

Foto de Min Jin Lee, autora de Pachinko
Min Jin Lee, autora de Pachinko.

Ao longo dos 30 anos em que trabalhou na obra, Min Jin Lee realizou diversas pesquisas e entrevistou vários imigrantes e descendentes coreanos no Japão. Segundo a autora, no episódio “Min Jin Lee, Author of Pachinko” do podcast “Moms Don’t Have Time To Read Books”, o desejo de escrever Pachinko foi despertado ao ouvir sobre o acontecimento em que um garoto coreano, após sofrer violências xenofóbicas em uma escola no Japão, cometeu suicídio.

Além de ser uma história sobre o sofrimento do povo coreano, Pachinko é sobre família, principalmente sobre o papel da mulher na família tradicional da época, bem como suas angústias.

A mulher Sunja

Mãe, filha, esposa e trabalhadora, Sunja, além das preocupações em desenvolver os papéis que a ela foram atribuídos na vida em sociedade, enfrenta grandes batalhas ao lado de sua família para sobreviver em meio à discriminação e exclusão do Japão.

Enquanto isso, a guerra continua.

E o Pachinko?

Sofrendo com o desemprego, a população coreana no Japão, sem amparo, buscava formas de conseguir dinheiro e uma vida digna trabalhando em salões de Pachinko. Todavia, esses lugares eram conhecidos, muitas vezes injustamente, como locais frequentados por criminosos.

O Pachinko pode demorar um pouco para entrar na vida da família, porém, em contrapartida, seu papel na história é de grande importância. Emocionante e expositivo, Pachinko, apesar de ser uma obra de ficção, conta uma história de violência e repressão dolorosamente próxima da realidade.

Contudo, Pachinko também conta uma história de amor e superação. Sem romantizar a injustiça e a violência, Min Jin Lee nos presenteou com um belo livro, repleto de reviravoltas.

Vai ter série!

Por fim, a obra Pachinko está sendo adaptada para um seriado de televisão pela Apple TV+. Até o momento, não possuímos uma data de estreia definida, porém, parte do elenco já foi divulgada.

Confira:

  • Min Ho Lee (“Boys Over Flowers”): como Hansu.
  • Jin Ha (“Love Life”): como Solomon.
  • Minha Kim (“After Spring”): como Sunja.
  • Soji Arai (“Cobra Kai”): como Mosazu.
  • Kaho Minami (“Household X”): como Etsuko.
  • Anna Sawai (“Velozes e Furiosos 9”): como Naomi.
Minha Kim, que interpretará Sunja, na esquerda, e Min Ho Lee, que interpretará Hansu, na direita.

A adaptação está sendo gravada em diferentes países, incluindo Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos e será narrada em coreano, japonês e inglês.

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Isabelle Ferreira
Oi! Sou a Isabelle, sou virginiana, jornalista em formação e vegana (informação importante). Amo muitas coisas, mas principalmente literatura e música.
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