Crítica | ‘Made for Love’ Expõe os Perigos de um Relacionamento Abusivo5 minutos

Imagine que você pode descobrir tudo o que seu parceiro está sentindo e pensando. O que ele/ela vê está disponível para que você assista integralmente e a qualquer momento. Bizarro, né? Essa é a premissa de Made For Love, uma adaptação do romance de mesmo nome da autora Alissa Nutting, dirigido por Stephanie Laing e Alethea Jones. A série está disponível no catálogo da HBO MAX.

Amor ou Obsessão?

Made for Love ilumina o caminho dos relacionamentos modernos com muita  tecnologia – Persona | Crítica Cultural

Estrelando Cristin Milioti (How I Met Your Mother) no papel de uma mulher que vive um casamento sufocante de 10 anos com Byron Gogol (Billy Magnussen de 007 – Sem Tempo para Morrer), um empresário da tecnologia extremamente sarcástico e controlador.

A trama se desenrola quando Hazel descobre que o marido implantou um chip em seus cérebros capaz de conectá-los, para poder visualizar todos os pensamentos e desejos da esposa sem seu consentimento. Hazel, desolada com o ocorrido, resolve fugir. 

Logo nos segundos iniciais do primeiro episódio, a série nos presenteia com um mistério. Quem seria a tal mulher e o que ela estaria fazendo em um bunker no meio do deserto? Por alguns episódios, seguimos com a segunda dúvida, o que desperta maior interesse no que está por vir. Minutos depois, então caminhamos pela rotina metódica e entediante de Hazel e Byron, que vivem de manter boas aparências. 

Sua casa é um Hub – um terreno montado a partir de cubos hiper tecnológicos que podem transportá-los virtualmente para qualquer lugar do mundo. No entanto, o espaço que é considerado o paraíso por alguns, principalmente por Gogol, na verdade é a prisão da qual Hazel não pode sair nem demonstrar o quão infeliz e deslocada se sente naquela realidade vazia.

Um homem e uma mulher estão conversando. Ele está vestido com um casaco marrom e calça preta. Ela está de gorro azul, casaco verde e calça cinza. O cenário é um parque e um arbusto logo atrás deles. Na foto estão Hazel Green (Cristin Milliot) e Hebert Green (Ray Romano) e
Hebert (Ray Romano) e Hazel Green (Cristin Milliot).

Assim, ao escapar das limitações do Hub, em meio a flashbacks da infância, Hazel vai de encontro ao passado, ao perceber que as relações que deixou para trás ainda se fariam necessárias em sua vida. Nesse meio tempo, a personagem se vê encurralada pelo marido, que não sai de sua cabeça, mesmo ao tentar despistá-lo.

Alta Tecnologia

A excelente estética visual, com inúmeros elementos futurísticos, nos faz pensar que estamos em um episódio de Black Mirror ou em um dos momentos mais excêntricos de Maniac – minissérie da Netflix com Emma Stone e Jonah Hill

Cristin Milioti Magic GIF da HBO Max
Você pode viajar para qualquer lugar do mundo com o Hub.

Made for Love flutua sobre uma linha tênue entre um humor maníaco, uma tragédia e uma série de bizarrices que só uma distopia tecnológica como essa poderiam apresentar. A partir da metade da série, quando as emoções dos personagens passam a de fato se conectar, compreendemos o ponto no qual a obra quer chegar.

No entanto, logo de cara pode-se compreender o motivo intrínseco à obra: relacionamento abusivo. As pequenas e grandes ações de Gogol e todo o sofrimento de Hazel denunciam seus perigos e consequências, mesmo com todo o tom de humor irônico, carisma e suspense de Cristin Milioti, que já são característicos de todos os personagens já feitos pela atriz. 

Quais os Limites de um Relacionamento?

Billy Magnussen também não deixa a desejar ao passar o propósito base da série. Seu personagem obcecado e seus trejeitos de caráter psicopático traduzem perfeitamente um homem que não sabe enxergar além do próprio umbigo. 

Os coadjuvantes também se mostram fundamentais para o desenrolar do enredo. Fiffani (Noma Dumezweni) e Herringbone (Dan Bakkedahl) mostram toda a sua determinação e coragem na tentativa de ajudar Hazel ao perceberem o quão louco e perverso o patrão é

Ainda assim, apesar de os personagens serem bem apresentados, não nos apegamos emocionalmente a nenhum, nem mesmo Hazel. Apenas no último episódio, intitulado “Let’s Meet”, é que sentimos uma leve pontada no coração, numa trama que ainda não encontrou seu final definitivo. 

Apesar do final ter nos deixado com uma certa revolta em relação às decisões tomadas pela protagonista, Made For Love cumpre com maestria seu papel durante as horas em tela. É uma tragicomédia divertida, empolgante e que promove reflexões muito importantes sobre os limites em um relacionamento, ajudando-nos a perceber sinais de abuso. 

Assista ao Trailer

Você já viu a série? Conte-nos o que achou nos comentários! E se você ainda não assistiu, Made for Love está disponível na HBO MAX.

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Letícia Mendes
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2 Comentários
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Alex

Excelente crítica👏👏

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