Crítica | Billie Eilish apresenta felicidade ilusória em Happier Than Ever7 minutos

O novo álbum de Billie Eilish já está disponível nas plataformas de streaming. Confira o que achamos do segundo álbum da cantora.

Billie Eilish está de volta após o estrondoso sucesso de When All Fall Sleep, Where do We Go?, seu álbum de estreia. A artista já vem trabalhando a transição entre seu primeiro álbum e seu segundo faz um certo tempo, tendo lançado o primeiro single um ano antes da data de estreia de seu mais novo trabalho.

Em Happier Than Ever, Eilish reflete sua fama, estrelato e abusos emocionais e sexuais que viveu em batidas minimalistas, guitarras acústicas e uma construção sonora delicada. Produzido pouco tempo após a turnê da cantora pela Europa, Happier Than Ever divide certas semelhanças na identidade com o antecessor.

Ela mantém o uso do electropop e do whisperpop, ou seja, o tom de voz baixo e respirações intensas. Porém, o novo álbum se distancia ao experimentar novas sonoridades como folk, country, R&B, rock e bossa nova. 

Clipe de My Future.

Enquanto ao trabalho estético, Billie vem trabalhando o visual do álbum desde 2020, quando lançou My Future como primeiro single do novo disco. Inclusive, Eilish fez uma escolha bem honesta sobre os singles: em conjunto, todos eles apresentam ao ouvinte o que ele vai encontrar nas temáticas principais apresentadas pela cantora. 

Em My Future, lançada como um clipe animado, é possível encontrar uma Billie similar ao seu estilo na época, com suas raízes capilares verdes e o resto do cabelo preto, roupas largas e uma canção mais reflexiva.

Já em Therefore I Am, Eilish voltava com o estilo mais bad girl, que ficou popular com a música Bad Guy. Esses foram dois singles que mostravam a Billie conhecida e popularizada pela estética de seu primeiro álbum. 

Entretanto, a proposta mudou quando a cantora lançou a faixa Your Power como o terceiro single. No clipe, pode-se encontrar uma estética mais cinza e lúdica em meio a um cenário caloroso no deserto. Billie é sufocada por uma cobra gigante enquanto fala do abuso sexual e psicológico que sofreu, e é aí que a artista se aprofunda nas discussões do álbum. 

Billie Eilish no clipe de Your Power.

Happier Than Ever não é um título literal… muito pelo contrário, o nome do álbum pode ter diversas interpretações dependendo de quem vai escutá-lo. Todavia, a capa sugere que a felicidade de Eilish seja muito mais uma ilusão da própria cantora do que um momento feliz na carreira da mesma. Atrás da capa, ela ainda vai mostrar todos os medos que adquiriu na fama. 

Na faixa Getting Older, Billie comenta sobre o processo de envelhecimento e amadurecimento que está passando, conforme vai deixando de gostar de certas atividades que marcaram sua vida. Ela comenta sobre como tudo vai se tornando uma obrigação. Ritmada no electropop  característico de Finneas, seu produtor, a sonoridade da música vai mudando enquanto Eilish se desapega de hábitos do passado. 

Já em Billie Bossa Nova, Finneas encontra a faixa perfeita para deixar sua criatividade fluir como produtor. Juntando o ritmo brasileiro com o electropop identidário de Billie, há aqui uma interação incomum entre duas vertentes musicais que não se conversam muito nos cenários dos quais fazem parte. 

Vídeo de legenda de Billie Bossa Nova.

Já em NDAOxytocyn, Lost Cause e I Didn’t Change My NumberEilish vai falar sobre os contratempos de um relacionamento que vai ficando cada vez mais sufocante, seja pela sua persona famosa ou pelos comportamentos autodestrutivos que existiam na relação. É uma mágoa que Billie vai deixar cada vez mais clara, até chegar à faixa título do álbum, Happier  Than Ever. 

Agora Billie tira os últimos momentos de seu álbum para falar sobre um relacionamento abusivo, contando sem nenhum medo o alívio que sente por não se relacionar mais com alguém tão cruel com ela. A faixa acaba dividindo uma mera semelhança com Good 4 U, de Olivia Rodrigo, uma vez que ambas usam o rock para atenuarem sentimentos que sentiam por ex-namorados. 

Happier Than Ever mescla estilos musicais diversos, todavia, sua coesão se mantém por encontrar o ponto no qual todos eles se balançam, que é o electropop. Eilish continua mantendo a mesma identidade enquanto compositora, expondo-se em letras confessionais, contemplativas, reflexivas e introspectivas, além de falar sobre acontecimentos que marcam sua vida. É bastante improvável encontrar uma cantora, ou cantor, que já esteja tão seguro sobre suas características artísticas. 

Billie Eilish no clipe de Happier Than Ever.

Diferentemente do que ocorreu no antecessor, Billie expõe mais maturidade ao abordar certos temas que antes a deixavam tão ansiosa e nervosa. Ela reflete sobre abuso sexual em Your Power de forma bem mais serena, mesmo mantendo a melancolia das consequências que um abuso pode trazer.

Além disso, a artista pega uma sonoridade folk, através da qual falará para as pessoas tomarem cuidado a respeito de como tratam outras pessoas, o que se diferencia da Billie raivosa de Bad Guy ou You Should See Me in Crown. 

Voltando para a faixa título, esse vai ser o momento do álbum no qual Billie se voltará para a persona antiga com mais raiva e ressentimento. Inclusive, é possível observar, na progressão, o descontrole da cantora conforme mergulha nas memórias dolorosas.

Começando acústica, Eilish fala sobre o peso que tirou do seu peito após terminar um relacionamento, mas conforme vai detalhando as lembranças, a música junta o pop com punk, deixando claro que ainda há raiva e tristeza nesse processo. 

Billie Eilish está de volta após o estrondoso sucesso de When We All Fall Asleep, Where do We Go?, mas avisa para seus fãs que nada está bem, pois mesmo tendo conquistado coisas boas, como fala na faixa My Future, ainda se encontra lidando com problemas pesados.

Em novas sonoridades, Eilish prova que a música pop pode ser um refúgio para pessoas falarem de saúde mental, quebrando o mito da música pop ser apenas algo vendável e descartável. 

Mesmo sendo nova, Eilish se demonstra madura o suficiente para enfrentar seus problemas. Segura de sua identidade artística, Billie entrega um trabalho coeso e não sai das discussões propostas pelo conceito do álbum, tudo tendo seu ponto de encontro. 

Ouça o novo álbum de Billie Eilish, Happier Than Ever, no Spotify.

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Paulo Miranda
Nascido e criado no Rio de Janeiro, 20 anos, sou formado em inglês e um estudioso de cultura pop. Sempre tentando buscar e compreender os movimentos que movem a cultura nerd, Atualmente colunista do Otageek e futuro estudante de literatura inglesa.
Artigos: 76
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