Crítica | Brincando com Tubarões, a história de Valerie Taylor4 minutos

Para os fãs de Spielberg, preparem-se para mergulhar fundo nos detalhes do que o instigou a trazer Tubarão (1975) para as telonas.

National Geographic e Disney se unem a Valerie Taylor para trazer um novo olhar sobre os vilões dos mares em Brincando com Tubarões. E a convite da Disney, o OtaGeek pôde conferir em primeira mão a première mundial do documentário (A ERA INTERNACIONAL VEIO PARA FICAR).

Valerie Taylor no pôster de Brincando com Tubarões
Valerie Taylor no pôster do filme Brincando com Tubarões.

Para os fãs de Spielberg, preparem-se para mergulhar fundo nos detalhes do que o instigou a trazer Tubarão (1975) para as telonas. Toda a vida e o trabalho de Valerie Taylor e de seu marido, o falecido Ron Taylor, foram oportunamente registrados como se esperassem o momento certo para serem recontados em uma narrativa de emocionar e tirar o fôlego. E essa espera chegou ao fim com Brincando com Tubarões, sob a brilhante direção de Sally Aitken.

Uma mulher à frente de seu tempo

Nascida em Sydney, 1935, Valerie fez sua carreira como mergulhadora e caçadora subaquática profissional. Ganhando notoriedade na área, foi como conheceu o seu futuro marido, Ron. O interesse em comum pela vida submarina concedeu à história a narrativa do casal perfeito. A construção imagética com as imagens de arquivo carregam o mesmo drama que uma montagem ficcional.

Cada detalhe registrado de suas aventuras trazem uma qualidade para a história, que transforma pessoas reais em personagens numa jornada do herói. Valerie nos é apresentada como a heroína da Terra numa época na qual, como ela mesma diz, tubarão bom era tubarão morto.

Sem deixar de lado o tópico do que era esperado de uma mulher nos anos cinquenta, o documentário se envolve nos desejos pessoais de uma mulher livre e nas dificuldades da vida de Valerie enquanto constrói a redenção de personagem no momento em que ela mata, pela primeira e última vez, um tubarão.

“Tudo na vida tem um risco. Até uma xícara de café pode te queimar.”

– Valerie Taylor

De inimiga a aliada

Valerie rapidamente deixa para trás a vida de caça e abraça a simplicidade de conhecê-los e registrá-los. É interessante como sempre a vemos rodeada de homens nos barcos que não se atrevem a fazer o que ela faz. É uma abordagem implícita, porém necessária para vermos o crescer de uma mulher que não tem medo daquilo que outros temem.

Ela defende os tubarões como qualquer outro animal, chegando a compará-los com cães. A fotografia de maestria histórica transparece sua alegria em estar rodeada pelas criaturas que, em certo ponto, parecem já reconhecê-la como uma amiga. A alegria de Valerie é de aquecer o coração.

Ela e Ron se tornam exploradores, defensores e referência como cinegrafistas subaquáticos, e o filme em si é uma ode ao trabalho singular dos dois; é como se eles, em sua juventude, soubessem que cada detalhe seria vital para a compreensão de uma das mais enigmáticas criaturas da água.

Em defesa dos tubarões

Uma pioneira, Valerie foi a primeira pessoa a filmar tubarões brancos em mar aberto sem a proteção de gaiolas. Os Taylors parecem mais em casa do que nunca quando rodeados deles, e seu trabalho com filmagem submarina foi crucial para a produção de Tubarão, blockbuster de Steven Spielberg cuja influência na cultura pop foi o que ajudou a disseminar a imagem do tubarão branco como uma ameaça para banhistas. O longa aborda a controvérsia de sua participação no filme, mas o tópico não ganha tanta importância quanto a experiência em si.

O próprio Ron Taylor se faz presente por meio de gravações de áudio, dando seu depoimento no que se torna uma declaração de amor ao seu trabalho e sua esposa, enquanto o filme submerge na atmosfera de um casal cujo destino era pertencer ao mar aberto. Valerie, por sua vez, é firme em dizer que não era parte do mundo submarino, mas apenas uma visitante. E nesse caso, os tubarões são anfitriões cordiais.

Brincando com Tubarões já está disponível para assistir no Disney+. Confira o trailer:

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Clara Lima
Artigos: 7
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2 Comentários
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Isabel

Parece muito legal, tubarões são animais muito bonitos mesmo! 😀

Gabriel

A Clara arrebenta nas matérias!