Crítica | “Rua do Medo: 1666”, o começo e o fim6 minutos

Caso ainda não tenha lido, confira aqui as críticas de “Rua do Medo: 1994” e “Rua do Medo: 1978”. E tome cuidado, pois essa crítica contém SPOILERS!

Finalmente chegamos ao fim da trilogia. “Rua do Medo: 1666” encerra com maestria a história iniciada em “1994”, trazendo a conclusão dos mistérios e o fim da história de Deena e Sam.

Pôster de "Rua do Medo: 1666". - Otageek

O filme na verdade tem duas partes: como “1978” terminou com Deena tendo uma visão sobre Sarah Fier, já começamos “1666” dentro dessa visão. Com a maioria dos atores dos filmes anteriores em novos papéis, ainda que com traços similares a seus papéis “no futuro”, temos a trama se desenvolvendo na cidadezinha de Union, que veio dar origem a Shadyside e Sunnyvale.

Sarah Fier (interpretada na maioria das cenas por Kiana Madeira, que faz o papel de Deena, e por Elizabeth Scopel quando aparece “de verdade”) é uma jovem que vive com o pai e o irmão. Em uma noite, ela acaba cedendo à tentação com a filha do pastor (Olivia Scott Welch, que também interpreta Sam em “1994)”.

Quando as coisas começam a dar errado e uma maldição recai sobre a cidade, as duas são assim acusadas de bruxaria. Mas Sarah consegue escapar e precisa descobrir o verdadeiro culpado se quiser salvar a si mesma e a sua amada.

A segunda parte do filme, ou “Rua do Medo: 1994 – Parte 2”, encerra a visão de Deena, que agora finalmente sabe a verdade sobre o passado da cidade e da sua “bruxa”. Ela e o irmão Josh contam com a ajuda de Ziggy, agora adulta mas ainda assombrada pelos acontecimentos de “1978”, e Martin, funcionário do shopping e único sobrevivente do massacre no começo de “1994”, para desmascarar o culpado e acabar com a maldição.

1666

Sarah (Kiana Madeira) e Hannah (Olivia Scott Welch), protagonistas do segmento 1666. - Otageek

A primeira parte do filme não tem influências claras como “1994” e “1978”, mas temos alguns visuais e temáticas semelhantes a filmes como “A Bruxa”, por exemplo, e também cenas similares às das outras partes, principalmente “1978”.

A direção e fotografia conseguem construir bem o ambiente claustrofóbico de uma cidadezinha daquela época, principalmente em relação aos habitantes. É interessante também ver a mistura divertida, ainda que talvez não historicamente correta, entre os comportamentos desse período e um toque um pouco moderno.

Um ponto negativo são os sotaques, pois a maioria dos atores não consegue sustentar o sotaque “antigo”, o que chama bastante atenção na protagonista, mas não é algo que incomode tanto assim.

O ponto alto de “1666” é a história. Ao descobrirmos que Sarah Fier na realidade era uma mulher inocente, perseguida e acusada de bruxaria por ter sido vista beijando outra mulher, temos a temática de mulheres perseguidas simplesmente por não seguirem as normas da sociedade, e como a história é realmente escrita pelos vencedores.

“Eles acham que somos culpadas, então somos”, diz Hannah, amante de Sarah. “Eles”, é claro, são os homens brancos e poderosos no controle da cidade. Uma palavra basta para que as jovens sejam acusadas e sentenciadas à morte, sem chance de se defender, assim como no presente a mídia consegue transformar tudo que acontece em Shadyside em culpa de seus habitantes.

Apesar de vermos que a separação da cidade e a origem da maldição de Shadyside são culpa direta da prosperidade de Sunnyvale, os “Shadysiders” ainda são culpabilizados pelas coisas ruins que acontecem, como se fossem pessoas ruins por não terem oportunidades e responsáveis pelas mortes que ocorrem.

Isso também forma um paralelo bem interessante com o que acontece na realidade em comunidades vistas como “ruins”, que geralmente são áreas exploradas e negligenciadas cujos moradores acabam sendo vistos como más pessoas por serem vítimas das consequências disso.

1994

Ao voltarmos a 1994, o filme toma um caráter mais de ação, com o grupo de sobreviventes tendo que fugir dos diversos assassinos da história de Shadyside e matar o culpado para acabar com a maldição.

Um destaque é Gillian Goode, que em “1978” era uma personagem um pouco mais genérica, até para não entregar o plot twist das irmãs, mas que agora conseguimos enxergar claramente como Ziggy, inclusive com as mesmas expressões e maneirismos de Sadie Sink.

O clímax de “Rua do Medo: 1666” ocorre em um shopping super colorido (e que evoca bastante o do final da terceira temporada de “Stranger Things”, apesar de não ser o mesmo), e retoma o tom mais leve, mesmo com assassinos à solta. A trilha sonora da época, ausente na parte do passado, retorna com força total.

É satisfatório ver o fim da maldição e mais satisfatório ainda poder ver o casal principal, formado por duas mulheres, ter um final feliz. A mídia, infelizmente, ainda é cheia de histórias LGBTQIA+ com final trágico, como a da própria Sarah Fier, então é revigorante ver personagens assim poderem ter também seu “felizes para sempre”, ainda mais em uma história cheia de mortes.

Considerações Finais

A diretora Leigh Janiak conseguiu criar uma trilogia que realmente dá a sensação de uma história em três partes, ao mesmo tempo em que cada filme tem sua própria história e identidade.

Com discussões relevantes e personagens que queremos acompanhar, “Rua do Medo” é uma das estreias recentes mais interessantes da Netflix, e com certeza vai agradar aos fãs de terror. Um possível novo clássico pra assistir com os amigos comendo pipoca (quando der pra aglomerar os amigos em casa).

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Luana Roque
Tradutora apaixonada pela cultura pop em geral. Leitora assídua, amante de terror, viciada em séries e filmes e ruim no vídeo game.
Artigos: 26
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