Crítica | Viúva Negra e o que o MCU escondeu11 minutos

Para a alegria dos fãs da Marvel e do MCU, Black Widow (Viúva Negra, se preferirem) estreou hoje na plataforma do Disney+ através do Premier Access. O filme dirigido por Cate Shortland e produzido por Kevin Feige tem no elenco: Scarlett Johansson, Florence Pugh, Rachel Weisz, David Harbour e Ray Winstone.

Alerta de Spoiler (finalmente o mistério de Budapeste foi revelado!!!)

Crítica Viúva Negra -Mulher ruiva vestida de branco-Otageek
Já nos cinemas e no Disney+ pelo Premier Access.

Como primeiro filme da 4º fase do MCU, Viúva Negra vem para responder algumas perguntas e esclarecer fatos importantes, principalmente sobre Natasha Romanoff (Scarlett Johansson). Por ter sido uma personagem um tanto misteriosa e claramente desvalorizada quanto ao seu lugar como uma vingadora pela própria Marvel, vemos nesse longa uma tentativa de reparação.

Durante todo o filme, há sempre a reafirmação de que Natasha é uma vingadora, principalmente nas falas de Yelena, o que passa a ideia de a própria Marvel reconhecer como deixou a personagem de lado e como o filme chegou atrasado em se tratando de uma história de origem.

Toda a vida de Natasha é mostrada, sendo possível ver no filme todos os momentos relevantes da vida da personagem para a sua construção. Revela-se algo já esperado: Natasha não teve uma infância das mais normais, algo que com certeza a afeta até os tempos atuais.

Ainda no primeiro ato do longa, vemos a primeira interação entre a família de Natasha. Melina e Alexei se encaixam bem em cena e mostram uma seriedade que foge do restante do filme. Além disso, as atrizes mirins representam muito bem as versões infantis de Natasha e Yelena: apesar de não terem muitas falas, a interpretação corporal não deixa dúvida de se tratarem de duas irmãs.

Os personagens de Alexei e Melina são os responsáveis por abordarem os conflitos familiares e os grandes alívios cômicos do filme. Ademais, as atuações de Scarlet e Florence merecem ser mencionadas: parecem irmãs de verdade, com várias tiradas, implicâncias e sarcasmo. Weisz e Harbour também trazem com maestria a imagem do tiozão babaca e da namorada 20 anos mais nova que a família desaprova.

Natasha, Yelena e Guardião Vermelho - Crítica Viúva Negra - otageek

Após os eventos iniciais, a abertura do longa merece destaque por trazer referências a filmes de espionagem dos anos 2000 como, por exemplo, Missão Impossível, abordando uma temática realista, como se a história que será mostrada fosse um retrato da realidade e, assim, intrigando o espectador com o que está por vir.

Essa foi uma sacada bastante inteligente, já que o material a ser usado nesse filme era delicado, levando em conta que os eventos do passado e do futuro (sendo o filme o presente) já estavam estabelecidos, sólidos e encerrados dentro do MCU.

E para quem estava se perguntando onde exatamente está esse “presente” na linha do tempo (pega a referência), é possível se situar logo quando o filme mostra uma parte da fuga da Natasha depois de quebrar o tratado de Sokovia.

O tratado de Sokovia trata-se ( ;D ) de um conjunto de documentos aprovado por 117 países para regulamentar as atividades de indivíduos aprimorados, especificamente os que trabalham para agências governamentais ou instituições privadas. Em resumo, é um documento que garante que grupos como os Vingadores trabalhem sob a supervisão das Nações Unidas.

A fuga por ter quebrado o tratado de Sokovia causa uma pequena tensão, apesar de sabermos que ela não será pega. Isso se deve tanto às suas habilidades quanto ao fato de já sabermos o futuro. Aliás, durante o filme todo há sentimentos conflitantes em relação a isso, pois sabemos como a vida de Natasha termina. Quando esses sentimentos são superados (ou não), é possível se permitir viver as emoções que o filme apresenta e, com isso, apreciar melhor a obra.

O longa possui muitos pontos relevantes para serem abordados, sendo eles: o passado da Natasha, a Sala Vermelha, Budapeste, família perdida e um vilão com habilidades especiais. Em contato com o seu passado, Natasha se vê cara a cara com Yelena, e é aí que a trama principal do filme começa.

E com isso, chegamos à questão principal para os curiosos de plantão: ENFIM BUDAPESTE!!!

Uma mulher em três situações diferentes

Budapeste e o Passado

No reencontro de Natasha e Yelena, é possível notar a química e o entrosamento das atrizes. Um passado que nossa ruiva misteriosa já achava que estava enterrado vem à tona e desperta traumas e mágoas da protagonista, de modo que é o primeiro aprofundamento de Scarlett como Viúva Negra, transmitindo os sentimentos que a personagem tem guardado.

Assim, entendemos melhor os arrependimentos de Natasha, uma vez revelado que ao tentar encerrar o projeto que a fez quem é, vidas inocentes foram perdidas. O remorso condiz com o que vimos na maioria dos filmes e nos deixa mais clara a culpa que a personagem carregava. Desta forma, finalmente os acontecimentos de Budapeste vêm à tona.

Mas o longa não esclarece se a culpa de Natasha é por se ver em uma situação parecida, lembrando da sua vulnerabilidade na infância, ou se é apenas um arrependimento por ter que voltar mais uma vez aos seus dias de assassina a sangue-frio.

O interessante dessa abertura para questões internas da protagonista é que o filme foge da sexualização de Natasha vista em Capitão América II. Assim, aparecem mais indícios dos abusos que as viúvas sofreram, mas o filme não se aprofunda muito nessa temática.

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Treinador vs Viúva

O Treinador possui a habilidade única de aprender e reproduzir o estilo de luta do seu adversário, o que faz dele um lutador perfeito. Então, alguém tem que ser muito sagaz para conseguir se livrar de um rival como esse.

Nas cenas de ação com o Treinador, é possível observar a ótima construção das coreografias e destacar as habilidades da nossa protagonista, já que a mesma enfrenta um antagonista bem mais preparado. Além de imitar o seu estilo de luta, o inimigo também luta como todos os seus aliados, que supostamente são mais fortes e poderosos que a própria Natasha.

Porém, nessas cenas é possível perceber que nem só com força bruta se ganha uma luta, mas sim com estratégia, pensamento rápido e sagacidade. As cenas são bem tensas e realistas, deixando de fora toda a delicadeza e gastando com ousadia a brutalidade de um assassino em missão.

O arco entre o Treinador e Natasha se encerra para não deixar possibilidades de um possível confronto ou ameaça do “vilão” no futuro do MCU. Porém, o desfecho deixa alguns questionamentos. Natasha consegue se redimir da sua culpa, o que a faz abraçar mais a família e se libertar de uma parte dos seus traumas. Mas as condições do Treinador e seu arco final não entregam muitas respostas sobre o personagem, como por exemplo as condições físicas depois que sai do controle mental.

natasha lutando - otageek - Crítica Viúva Negra

Enfim, família!

Em todos os momentos do filme, foi possível apenas saborear uma superfície um pouco mais profunda de Natasha. Todas as pontas soltas da história da nossa ruiva misteriosa são amarradas em um bonito laço, finalizado de modo que não restam dúvidas: não terá uma continuação.

De modo geral, o filme é bom, responde às perguntas que foram deixadas e dá um gosto do que a amada Natasha Romanoff poderia ter sido se tivesse recebido uma atenção a mais.

No longa, é possível ver alguns sentimentos guardados da nossa ruiva misteriosa e como durante todo o filme sua principal motivação foi enfrentar seu passado horrível e tentar entender o grande propósito (nem só o Loki vive de propósito, quem diria…) que a levou a se tornar uma Viúva Negra.

O lado mostrado por Natasha em Vingadores: Ultimato, como uma líder nata que cuida do que sobrou de sua família, é justificado sutilmente na medida em que é possível entender os traumas da personagem.

Apesar de sempre se manter plena nos filmes anteriores e nada além da carcaça ser mostrado, nesse filme vemos o lado maternal de Natasha vir à tona. Temos vislumbres da Viúva Negra, desde pequena, cuidando de sua irmã e buscando protegê-la, mesmo que isso coloque sua vida em risco. Assim, é possível entender a velocidade e facilidade com as quais Natasha renunciou a sua vida sem hesitar: entre ela e a família, a família vem primeiro.

Mulher chorando - otageek

O Futuro de Viúva Negra

Sendo um filme solo que se difere dos filmes de origem apresentados anteriormente, Black Widow tem apenas a função de introduzir a substituta da nossa Viúva Negra. Não traz grande relevância para o MCU, já que não conversa com os filmes anteriores e não tem um arco que o ligue aos futuros, com exceção da cena pós-credito. Então, toda a construção do filme, no fim, baseia-se em apresentar uma nova personagem e dar uma morte mais digna para a primeira vingadora mulher.

Mas como o primeiro filme da Marvel dirigido 100% por uma mulher e com grandes chances de alavancar a representatividade feminina, foi por um caminho conhecido e padrão da fórmula de sucesso, sem se aprofundar nos diversos abusos que as mulheres recrutadas para serem viúvas sofreram. Uma outra atmosfera poderia ter sido criada, com uma essência especial para honrar tudo o que Natasha Romanoff fez e representou como a primeira vingadora, entrando no cerne do que ficou escondido sob a fisionomia inabalável.

Entretanto, a narrativa é, de um modo geral, também um filme de origem para Yelena. A personagem já deixa seu lugar garantido no futuro do MCU e trabalha a libertação emocional de uma viúva cujo passado é marcado pela tortura psicológica, controle total de suas ações e inúmeros abusos, principalmente emocionais.

E com essa construção, apesar de não deixar claro todos os feitos de seu passado, Yelena herda o mistério de Natasha, mas com suas origens esclarecidas e todo o seu potencial à mostra, podendo agregar como a nossa nova assassina favorita.

O longa traz alguns pontos negativos, sendo que o aproveitamento da personagem ocorreu meramente para não encerrar uma jornada sem mais explicações. Além disso, o filme só respondeu algumas questões, como o mistério que foi Budapeste. O MCU sobreviveria sem esse filme? Com certeza.  

A trilha sonora é madura e se encaixa bem à obra, sem dar o tom dos filmes heroicos da Marvel e focando mais na realidade da protagonista como assassina. O enredo é fluido e simples, sem complicações mirabolantes e com bastantes referências ao MCU, apesar de que não sejam totalmente essenciais. E apesar de ser um longa com um tom mais sério, o humor está presente, mas infelizmente não foge da fórmula padrão Marvel.

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Rafaella Moura
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