‘Paris Is Burning’ e o seu marco como obra cultural e histórica6 minutos

Você não precisa fazer parte da comunidade LGBT+ para apoiar. Comece conhecendo mais sua história por esse documentário e celebre a vida e a diversidade!

Paris Is Burning foi selecionado em 2016 pelo National Film Registry para compor a Biblioteca do Congresso como obra “cultural, histórica ou esteticamente significante”.

Se você é fã de RuPaul’s Drag Race ou de Pose, provavelmente já assistiu ou ouviu falar sobre esse documentário. Já para quem não conhece, prepare-se para entender onde surgiram muitas frases e bordões, além da própria ideia de categorias e desfiles.

Paris is Burning é um filme-documentário estadunidense de 1990, dirigido e escrito por Jennie Livingston e gravado em diferentes fases da década de 1980.

Na produção acompanhamos a vida da comunidade LGBT+ na cidade de Nova Iorque, mais especificamente dos negros, latinos, trans e drag queens. Para tal, ela aborda o funcionamento das Houses (casas e famílias que acolhiam os LGBT+ na época) e a cultura dos ball’s,na qual os participantes competiam por troféus, prêmios e glória.

O documentário alterna sua narrativa a partir do contraste entre os sonhos de glamour e riqueza de seus entrevistados e a realidade bastante sofrida vivenciada no dia-a-dia. Mesmo sendo uma grande lição de humanidade, infelizmente parte do elenco do filme veio a falecer anos após as gravações. Uma das entrevistadas chegou até a ser brutalmente assassinada durante a produção do documentário.

Apresentação de Venus Xtravaganza  em Paris is Burning
Venus Xtravaganza (morta em 21 de Dezembro de 1988).

Mesmo presenciando o começo do surto de HIV em Nova York na época, a comunidade fazia dos bailes um local de aceitação e cultura. Muitos dos entrevistados falam que suas famílias nunca os aceitaram e, tendo a sociedade também lhes virado as costas, encontraram suas verdadeiras famílias nas Houses (“Casas”).

Cada House possuía uma Mãe (geralmente uma pessoa mais velha) a qual acolhia pessoas que eram socialmente marginalizadas, seja pelo gênero, sexualidade ou etnia. A mãe as ajudava então a ter uma vida melhor, longe da criminalidade e riscos das ruas.

Grupo LGBT que faz parte de Paris is Burning

Todavia, os Ball’s eram onde seus sonhos realmente aconteciam, entre competições individuais e em grupos. As competições não eram só pelos troféus: todos os participantes almejavam a glória para suas casas, e geralmente os desfiles aconteciam em categorias como Executive RealnessouTown & Country.

“Para nós, os balls são o mais perto que alguma vez estaremos de toda aquela realidade de fama, fortuna, estrelato e ribalta.”

O voguing era uma forma dos participantes contarem a sua história, mas também era algo satírico, divertido e cômico, com os participantes a copiarem as poses das modelos da Vogue através de posições paradas ou movimentos que replicavam o de maquiar e arranjar o cabelo.

Come on, Vogue (Vogue) Let Your Body Groove to the Music

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Lançado em março de 1990, o videoclipe de “Vogue” teve direção do renomado David Fincher, que antes de trabalhar em filmes como “Clube da Luta” e “A Rede Social”, teve uma bem-sucedida experiência em videoclipes nos anos 1980 e 1990. Madonna e ele produziram o vídeo inspirados na década de 1930, em homenagem aos antigos musicais de Hollywood. A surpresa era a nova dança do momento, Voguing, até então desconhecida do grande público. Assim, Madonna ajudou a mostrar ao mundo a existência do Ball Culture do Vogue.

Negro gay que faz parte de Paris is Burning vestido de militar

“Um negro e gay nunca poderia ser alguém de alto calão na sociedade, se vestir como um soldado nos Ball’s era como a realização deste sonho”- diz um dos entrevistados em determinado trecho do documentário.

Hoje o Ball Culture vive e está voltando a ter os holofotes voltados para ele. Em suma, isso se deve à sua capacidade de se manter fiel às origens, mesmo quando novos estilos e comunidades emergem. Aquilo que começou em Harlem é hoje uma comunidade global e intergeracional: em 2016, um vídeo de um grupo de dançarinos de vogue numa vigília em Londres, em homenagem às vítimas do ataque à discoteca Pulse, em Orlando, tornou-se viral.

Além disso, nos países onde os direitos LGBT+ são ameaçados, o voguing oferece um espaço para a cultura queer sobreviver. Afinal de contas, o voguing é uma forma de expressar a verdade do “eu”, de contar uma história, apresentar qualquer tipo de identidade e, talvez, lançar algum shade pelo caminho.

Que tal conferir esse documentário agora? Paris Is Burning se encontra disponível no Youtube.

Você não precisa fazer parte da comunidade LGBT+ para apoiar. Comece conhecendo mais sua história por esse documentário e celebre a vida e a diversidade!

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Em homenagem ao mês do Orgulho LGBT+, nesta semana parte da nossa redação, junto de um convidado especial, debate sobre como era ser LGBT+ no passado, referências e a representatividade para essa comunidade.

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Apresentação: Riuler, Bruna, Norman, Raissa e Pedro

Participação especial:  Eduardo (Batata) do podcast Batata e suas Fritas.


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Riuler Luciano
Jornalista Cultural, Analista de Inbound Marketing e Branding, cresceu lendo quadrinhos dos X-MEN é amante de Cultura Pop e Pequi!
Artigos: 67
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