Crítica | Eu sou e serei o que eu quiser ser – Curtaflix2 minutos

Como saber se não caminhamos para uma ditadura?

O curta “Eu sou e serei o que eu quiser ser” foi selecionado pelo curador Christian Saghaard na sessão “para curtir ideias de jovens e adolescentes”. Esta e outras sessões fizeram parte do Festival de Curtas-Metragens do CurtaFlix, que ocorreu entre os dias 08 e 17 de abril.

A protagonista debate com uma outra mulher sobre seu livro, Eu sou e serei o que eu quiser ser
Entendemos pouco a pouco a conjectura política por trás dessa aparente distopia.

O curta tem duração de 5 minutos e nele acompanhamos uma protagonista sem nome que, entre cortes e rápidos diálogos, compreendemos que é escritora. Ela é a mente por trás de um livro chamado “Eu sou e serei o que eu quiser ser”.

Em nenhum momento temos acesso ao possível conteúdo deste livro. No entanto, o subtexto do curta nos revela que o livro, como o título bem sugere, é uma obra que incita a “rebeldia” de ser quem se deseja sem deixar a sociedade te definir.

O subtexto também mostra que, nesta narrativa, estamos na iminência de uma ditadura. Ou talvez ela já tenha sido implantada num passado recente. Sutilmente, o curta faz referências às nossas vivências mais recentes enquanto Brasil.

Num dado momento, ao fundo das cenas, ouvimos falas que incitam uma tendência heteronormativa e corretiva. Frases como “ menino veste azul e menina veste rosa” e a Ministra Damares Alves falando sobre as meninas que sonham em ser princesas são alguns exemplos.

A protagonista dá dedo de dentro de um carro enquanto mostra seu livro, Eu sou e serei o que eu quiser ser
Protagonista sem nome, o Brasil te ama!

A protagonista sem nome segue fugindo por todo o curta enquanto alguns homens dessa ditadura a perseguem. Pouco a pouco a mensagem vai se solidificando para os espectadores.

Não que o objetivo do curta seja muito secreto, na verdade ele é direto ao ponto. Trata-se de uma ode ao diferente, à liberdade de escolha e ao poder que reside em dar vazão ao seu jeito particular de ser!

O final é cômico, mas nada glorioso. Essa não é uma história épica, mas esse fim é próximo do que poderia ser na vida real. Este é realmente um curta “para curtir ideias de jovens e adolescentes”, afinal, o que seria mais jovem do que tacar o foda-se para todo mundo?

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Rafael Urpia
Jornalista baiano em formação, descubro o mundo e navego do geek ao místico (passando por um bom kpop) por puro prazer!
Artigos: 27
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