Crítica| Mulheres Negras: Projetos de Mundo4 minutos

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Dirigido por Day Rodrigues e Lucas Ogasawa, Mulheres Negras: Projetos de Mundo abordam vidas negras invisbilizadas.

O festival curtaflix está sendo responsável por exibir curtas para o público, mas além disso a curadoria está trazendo seleções de curtas muito interessantes. Uma das curadorias mais interessantes é a de Ana Flávia Cavalcante, a curadora que se concentrou em falar sobre vidas pretas.

Uma das sessões, Curtas para o Afrofuturo, apresenta uma conversa muito aberta sobre a vivência da mulher preta no filme Mulheres Negras: Projetos de Mundo, em que irá debater e demonstrar qual é o peso que as costas das mulheres negras carregam no mundo.

No início do curta, as personalidades negras vão sendo apresentadas em falas curtas que deixam à mostra quais temas serão abordados nos 25 minutos de filme. São trazidas noves mulheres negras falando suas vivências pessoais, entre elas temos Djamila Ribeiro, filósofa e autora, Idenira Nenesurreal Lopes Sales, grafiteira, Preta-Rara, rapper e professora, e a empreendedora Monique Evelle.

Banner promocional com as mulheres de Mulheres Negras: Projetos de Mundo
Banner promocional com as mulheres do filme

No início do curta, as mulheres vão apresentar teorias e dados sobre a vivência de pessoas negras no Brasil, é quando Djamila fala bastante em respeito dos privilégios que muitas classes vão em cima das mulheres pretas, o que vai complementar as vivências dos relatos que as outras figuras do curta vão abordar.

Preta-Rara, por exemplo, vai explicar a sua luta para ser reconhecida dentro do mercado de trabalho. Ela vai tratar do preconceito que sofria quando notavam de sua aparência, até mesmo da luta que foi ser reconhecida como uma mulher preta dentro da espaço do rap, o que já puxa a fala de Idenira, aonde fala que dentro do meio artístico raramente a reconheciam como uma grande grafiteira.

Existe também um debate geracional entre as falas dessas mulheres, Monique, por exemplo, fala de sua determinação para virar uma mulher negra reconhecida, enquanto a professora Francinete Barbosa demonstra como era difícil conseguir fazer mestrado na USP através de sua vivência.

Mulher negra dança em honra à sua ascedência

Esse compilado de pequenas narrativas transforma o curta de Day Rodrigues e Lucas Ogasawara em um documento sobre a vida da mulher preta dentro do Brasil, um recorte que é bastante específico e inexplorado dentro da realidade do país. Existe uma força que move esse trabalho, porque ele tem muita alma.

É um filme muito direto que toca no coração do espectador, traz diversos relatos sobre o que é ser uma mulher preta no Brasil, assim como é triste e doloroso ver as vivências que pessoas pretas possuem ao meio de tanto preconceito. Mas em alguns momentos, dentro desses pequenos relatos as mulheres enfatizam a força da mulher negra ao resistir. Francinete, por exemplo, fala o quão feliz está em ver mais pessoas de cor entrarem resistindo em espaços elitizados.

No livro Mulheres, Raça e Classe de Angela Davis, é enfatizado a falta de documentos que retratam a vida da mulher preta, principalmente no período de escravidão, mas o melhor de Mulheres Negras: Projetos de Mundo existir é que há um documento sobre a vida contemporânea aqui, trazendo diversos pontos de vistas diferentes que se completam e trazem a sensação de coletividade em sua mensagem.

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Paulo Miranda
Nascido e criado no Rio de Janeiro, 20 anos, sou formado em inglês e um estudioso de cultura pop. Sempre tentando buscar e compreender os movimentos que movem a cultura nerd, Atualmente colunista do Otageek e futuro estudante de literatura inglesa.
Artigos: 76
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