Crítica | Liga da Justiça Snyder Cut: mesma base, resultado diferente6 minutos

Depois de uma luta de quatro anos por parte dos fãs, o Snyder Cut foi disponibilizado para ser consumido.

O Snyder Cut já se encontra para aluguel e, mesmo que Hollywood já tenha lançado versões alternativas para filmes que não foram tão bem abraçados, esse é um caso à parte. Não é só uma versão alternativa, e sim um filme novo e totalmente diferente do que havia sido lançado em 2017, apenas aproveitando a mesma base.

Já dentro da DC, houve outros casos de versões estendidas e alternativas para filmes que não foram bem vistos, como foi o caso de Batman vs Superman e Superman 2 de Richard Donner. Agora temos o filme do Snyder Cut, que vem como um presente de muito bom gosto aos fãs da DC Comics.

Liga da Justiça reunida no fim do filme do Snyder Cut
A Liga da Justiça reunida no terceiro ato.

Logo no primeiro contato, pode ser que o projeto cause uma certa dúvida na forma de consumo, pois é um filme apresentando quatro horas de duração, divididas em partes. Mas apesar de todo o tempo de rodagem ser muito longo, há maneiras de despender este projeto como uma minissérie. Não importa a maneira como é consumido, mas sim o resultado final.

O trabalho de Snyder apresenta bastante firmeza na execução e, mesmo sendo um diretor de muitas alegorias, existe um espaço muito grande para suas manias serem dosadas e não devorarem tanto da história. As partes menos tragáveis ocorrem em sua maioria nas cenas onde vemos os heróis novos, local em que Snyder põe sua visão artística.

Tanto a cena em que Ciborgue descobre seus poderes, quanto aquela na qual vemos as habilidades de Flash pela primeira vez, o diretor esbanja do slow-motion em momentos mais messiânicos e deixa a trilha sonora exagerada, mas isso não estraga o brilhantismo do show como um todo.

A maior proeza do longa se encontra no roteiro bem amarrado de Chris Terrio. Mesmo sendo um roteirista polêmico, Terrio ainda consegue ter muitas ideias que precisam de tempo para serem desenvolvidas. E com uma grande rodagem, é possível ter a duração necessária para que seus pensamentos sejam transpostos em tela.

Apesar de alguns diálogos estarem beirando o clichê e o brega, destoando da visão mais séria de Zack Snyder, o roteiro consegue trabalhar muito bem seus elementos principais e apresenta os personagens novos com calma, assim como reapresenta os personagens que já estavam presentes.

Lobo da Estepe cercado por parademônios em seu covil em Snyder Cut
Lobo da Estepe conversando com DeSaad.

Terrio se preocupa em amarrar os acontecimentos que foram respingados em filmes anteriores. Então, ele reconhece todos os longas que vieram antes de 2017. Mas longe desses personagens mais antigos, Chris consegue equilibrar sua atenção para destacar os novos heróis. Cada um deles é escrito de forma diferente, com personalidades distintas e próprias, um ponto que coincide perfeitamente com a direção de Snyder.

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Voltando para a direção de Zack Snyder, seu trabalho aqui tem um tom objetivo bastante claro, pois assume o risco de se rebuscar algumas vezes. Mas dentro de um corte de quatro horas, muitas informações podem não ficar frescas na mente do público. Então, sua condução consegue trabalhar de forma clara a grande quantidade de informações no roteiro de Terrio.

Comparado com o filme de 2017, a maior diferença que pode ser notada é no tratamento que Batman, Mulher-Maravilha e Ciborgue recebem. Zack Snyder busca por um protagonismo maior desses três heróis, resultando em alguns dos melhores momentos do filme.

Diana e Bruce encontram os melhores diálogos no longa. É possível observar que mesmo ambos se encontrando cansados, ainda enxergam esperança na humanidade. Enquanto isso, Ciborgue busca por novos objetivos em sua vida, o que resulta em cenas mais contemplativas e alegóricas, mas que quebram um pouco o ritmo do longa.

Ciborgue, Batman e Mulher-Maravilha juntos na luta contra o Lobo da Estepe em Snyder Cut
Ciborgue, Mulher-Maravilha e Batman juntos na Liga.

Os arcos desses três personagens são os pontos que trazem aprofundamento na história quando o diretor não foca em Lois Lane e seu luto. Esse desenvolvimento maior ajuda na dinâmica da equipe, que no fim, acaba lutando junta e formando uma aliança muito boa, cheia de química em cena.

Porém, mesmo com os pontos positivos, o filme ainda esbarra em defeitos inevitáveis. Zack Snyder encontra tempo, todavia, os tiques do diretor continuam se mostrando irritantes. Em alguns momentos, com sua vontade de simbolizar esses heróis e endeusá-los, Snyder perde o tom narrativo que estava seguindo.

Mais uma vez, a sua visão se sobrepõe muito mais do que sua síntese enquanto diretor. Snyder toma muito tempo de seu filme criando alegorias que poderiam ser mais diretas. Ele gosta de criar esses espaços que excedem, com demasiada criatividade solta sem necessidade. Uma direção mais objetiva consegue ser muito maior.

Parece muito mais um ego do diretor buscando um significado maior por detrás de seus personagens, algumas vezes quase exagerando no que o próprio roteiro quer passar.

Zack Snyder dirigindo uma cena de Liga da Justiça
Zack Snyder dirigindo Gal e Ben.

Até mesmo em um dos seus trabalhos mais coesos, Zack Snyder cai nas mesmas falhas que seus filmes anteriores. A sorte aqui é que o diretor busca se manter mais linear para condizer com a escrita de Chris Terrio.

A trilha sonora do filme, em alguns momentos, também pode ser um ponto de incômodo, não se encaixando com certas mensagens que o longa busca desenvolver. Porém, há momentos grandiosos nos quais a música define o tom e a personalidade do filme, mesmo que cause algumas inconsistências.

Por isso, o Snyder Cut não chega a ser um filme melhor do que é. Mas ainda entrega o que promete, cria uma história bem amarrada e uma narrativa linear que se permite explorar dentro de seu cerne. Uma pena que não tenham planos para uma continuação, porque Liga da Justiça de Zack Snyder (Snyder Cut) é um bom material, que poderia ter espaço para uma exploração maior.

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Paulo Miranda
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