Crítica | Nessa brincadeira, ficamos ‘Freaky – No Corpo de um Assassino’6 minutos

Millie Kessler, de 17 anos, tenta apenas sobreviver aos corredores sedentos de sangue da escola secundária de Blissfield.

O novo filme de Christophe Landon chega aos cinemas brasileiros no dia 10 de dezembro, estrelando Kathryn Newton e Vince Vaughn, com produção pela Blumhouse.

Em 2017 a Blumhouse lançou “A Morte te dá Parabéns”, também dirigido por Landon, e logo pegou o público com a junção de comédia e terror slasher, ainda mais com sua premissa “sessão da tarde”.

Parece que a produtora e o diretor gostaram do efeito que sua primeira parceria causou, então Christopher volta a pegar uma premissa familiar e a junta com terror satírico e slasher, trazendo referências a filmes como “Sexta-Feira 13”, “Sexta-Feira Muito Louca”, “Pânico”, “A Morte te Convida Para Dançar” e “Massacre da Serra Elétrica” em um misto de diversão e horror bem genial, inédito para o público moderno.

Se “A Morte te dá Parabéns” enfrentou problema com a censura PG-13, Freaky – No Corpo de Um Assassino ganha gás pela censura 18 anos, permitindo-se abusar do gore ilimitado, o que gera sequências de mortes bem gráficas as quais podem trazer um leve desconforto.

A premissa aqui é simples: e se Sexta-Feira Muito Louca fosse um slasher?

O filme conta a história de Millie (Kathryn Newton), uma estudante que vive em um lar disfuncional depois da morte de seu pai. Ela enfrenta bullying na escola e sofre abusos verbais diários por figuras que ela julga superior. Todavia, quando Millie fica até de madrugada esperando sua mãe após um jogo de futebol, a garota é perseguida pelo Blissfield Butcher e apunhalada por uma adaga especial.

Após sofrer o ataque, Millie acorda no corpo do assassino, tendo que correr atrás de seus dois melhores amigos, Nyla (Celeste O’Connor) e Josh (Misha Osherovich). Ela se encontra, assim, numa tentativa cômica de convencer ambos de que ela é, na verdade, sua melhor amiga e contar como ocorreu a troca de corpos. Enquanto isso, o assassino habita o corpo de Millie e mata vários estudantes do ensino médio que praticavam bullying com a garota.

O longa tem certos problemas para achar alguma lógica consistente, mas consegue, mesmo assim, abraçar o humor non-sense. Ele sabe desviar das inconsistências de roteiro dentro de suas referências visuais a outros filmes de terror. Devemos citar, ainda, que a dupla de roteiristas, Michael Kennedy e Christopher Landon, tem bastante consciência sobre seu texto. Enfim, não é um projeto ambicioso ao extremo, apenas uma vontade de criar um slasher satírico, como “Pânico” e “Terror Nos Bastidores”.

O roteiro também consegue transmitir uma fluidez agradável ao apresentar uma trama genérica e fofa: vemos uma protagonista com problemas dentro de casa, excluída na escola e amiga dos excluídos, como “Sexta-Feira Muito Louca” apresentou, mas a virtude da coisa está na distorção da expectativa que a trama gera depois que a troca de corpos ocorre, porque daí o longa se permite abraçar seu principal objetivo.

O elenco do filme é muito afiado também, sabendo se apoiar nas piadas e entender por completo a situação que o longa quer passar. Assim, cada um compõe seu personagem com naturalidade em cima de caricaturas, como é o caso da militante Nyla, interpretada por Celeste, e o melhor amigo gay (o qual joga piadas em cima de estereótipos gays) Josh, vivido por Misha. Ambos conseguem se encontrar muito bem com Vince Vaughn.

Vince Vaughn vemde uma linha de sucessão com filmes mais experimentais, distantes dos papéis pelo qual ficou conhecido, mas aqui o ator volta a vestir a faceta cômica e cria uma adolescente de 18 anos perfeita, sabendo transmitir todas as suas ansiedades e devaneios, mesmo que o intérprete já esteja na casa dos quarenta. E seu elenco de apoio também é ótimo.

Kathryn Newton, por sua vez, já passa a maior parte do filme sozinha, então ela consequentemente poderia não ter muito o que fazer, mas não foi o caso. Newton sabe driblar o uso de suas expressões blasé com seu corpo.

A jovem atriz consegue transmitir muito bem a vibe intimista de Millie, construindo os trejeitos de uma adolescente reprimida. Porém, quando encarna o assassino, sua expressão corporal fica muito mais confiante e ameaçadora, provando que nem toda boa atuação precisa de maneirismo e exageros e é possível construir personagens através do corpo, tratando-se apenas de uma tarefa mais árdua.

Diferentemente de “A Morte te dá Parabéns”, no qual tudo parece ser um pouco mais otimista, “Freaky” abusa de uma atmosfera mais sanguinolenta, melancólica e sóbria, embora saiba abusar da comédia pastelão após a troca de corpos, trazendo um ar mais jocoso e menos sério.

O filme ainda é capaz estabelecer a situação, tomando o tempo necessário para cuidar dos mais minuciosos detalhes. Assim, quando ele cai em cima da comédia, o espectador sabe muito bem em quais circunstâncias os personagens estão se metendo, o que dá um toque especial ao humor do longa.

“Freaky – No Corpo de Um Assassino” consegue finalizar bem 2020 como um ano experimental para o cinema de terror. Tivemos desde a ficção científica de terror, com “O Homem Invisível”, até a experiência virtual de “Host”. Agora, “Freaky” finaliza com um toque especial de comédia e terror slasher, acompanhado de um elenco estreante muito bom, Vince Vaughn em uma performance descontraída e Kathryn Newton pintando seu talento em vermelho.

Ademais, roteiro e direção são bem competentes para dar um ar de diversão extra ao gênero. Agora é só esperar Christopher Landon voltar com mais um filme de terror deste estilo, talvez com um lance de viagem no tempo no modelo ‘De Volta Para o Futuro’.


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Paulo Miranda
Nascido e criado no Rio de Janeiro, 20 anos, sou formado em inglês e um estudioso de cultura pop. Sempre tentando buscar e compreender os movimentos que movem a cultura nerd, Atualmente colunista do Otageek e futuro estudante de literatura inglesa.
Artigos: 76
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